Tania Montandon - Nasceu em Uberaba em 1978, é autora do livro de poesias "Viagem ao Léu" pela editora Armazém de Idéias - pequena amostra no Recanto das Letras, participou da "Antologia Digital de Blocos Online VIII" e também da Antologia de poesias O Melhor da Web lançado na XIV Bieanal Internacional do Livro no RJ participa de outra antologia pela Usina de Letras com duas poesias que ainda não foi publicada, está com um livro "Pensando HumanaMente" pronto para publicar, é graduada em Psicologia e participa de sites na web publicando artigos soltos de psicanálise, psicologia, atualidade, poesias, contos e crônicas.

É colaboradora do Jornal O Rebate, possui trabalhos em Blocos Online, Garganta da Serpente, Ala de Cuervo, Mulheres Escritoras, Rede Psi, Revista Maria Joaquina, Simplicíssimo, Toca do Escritor, Portal CEN, Poetas del Mundo, Varanda das Estrelícias, O Pensador, entre outros.

Criou a rede de amigos blogueiros e artistas Jornal dos Blogs. Portadora de transtorno esquizoafetivo, encontra na arte, na literatura e na filosofia a alegria do encontro de subjetividades mais humanas e menos contaminadas pelo estigma e hipocrisia da sociedade moderna atual.

Naturescendo

Louvando a dádiva de receber à inconsciência
Energia, dons pra ser o Sol, a lua, o vento, a luz
Na ilógica coerência que no alento me seduz
Por ser única e original sua doce imanência

Espera o Sol em mim aquecer o abstrato
Inquieta a lua em mim a esconder seu tato
Desordena em mim o vento a deixar-me inerte
Inebriando a luz em mim a orar: desperte!

Se tão pouco há de formosura
Se tão pouco há de abastança
Sobra meu ser em alva ternura
Sabe o mistério que leva uma dança

O tempo passa e sempre me diz
A vida é a graça de aprender, tecer
A malha dos haveres e ser feliz
Amando a sempre e mais a tez

Do ser que um dia se desprende
Do medo e liberta o coração
Dá a mão e, então , surpreende
De tão inefável , ardente paixão

Tania Montandon



Ainda confio

Silêncios conectados onde pensamentos
sintonizados, parecem darem-se as mãos.
Eu nunca me senti assim antes.
Perdi o ponto onde errei, olho o firmamento.

Embora eu sinta a sua graça em coração, nada é com'antes,
A dor da saudade imensa, do saber a verdade alienante,
Ver de perto a audácia do que nos tirou do sério

E ainda confio na tua fidelidade.
E ainda confio na tua verdade.
E ainda confio na tua essência branda.

Mesmo após a intromissão da realidade nefanda.
Nebulosas dúvidas hoje fazem sentido,
não que seja o melhor, apenas mais autêntico
quando indago por que demoramos tanto e, comigo,
é o teu coração que eu sinto pulsar.

Agora não é mais a experiência adolescente a se tratar
É a descoberta da responsabilidade, toda ela.
Onde entrego-te minhas poucas energias restantes.

Acreditando no devir, no teu poder de ser feliz.
E, assim, desarmada, confesso-me apaixonada
Esperando, confio a ti, a escolha: serei-te a amada?

Tania Montandon



Coisas do coração

A noite é escura
E o caminho é, por vezes, espinhoso
Mas com um gatinho carinhoso
de alma pura de companhia

Não há por que não sentir alegria
Tenho-te no sonho e no devaneio
Ah...o que te proponho...
É muito mais que um mero vaguear...

A distância é meio estranha
Priva-me de querências
Nem expressar tenho a manha

Do substrato de tua essência
Essa façanha que alimenta
Toda minha experiência

Tania Montandon



Vivência

"Se não vivêssemos perigosamente(...) tremendo a beira dos precipícios, não estaríamos nunca deprimidos, estou segura disto, mas seríamos cinzentos, fatalistas e velhos."
(V.Woolf in 'Diário")

Clara como a rosa é a aurora
Fresca como a brisa a mente que acorda
O ar frio entra pelo postigo com seu 'bom dia'
E alegra aquele que sorria

Os dias são diferentes. A vida é assim:
enobrece a alma com sabedoria até que decrete seu fim.
Ensina com maestria a arte de tudo enfrentar
Pois tanto dores como amores um dia hão de acabar

A luz de um instante guarda todo um segredo
Abrir os olhos ou não é escolha de cada um
Devaneios aleatórios fazem parte do enredo

A sensação é percebida com mais ou menos apego
Conforme a disposição e presença de espírito do um
A viver seu instante com zelo ou com medo.

Tania Montandon



Tempos Modernos

A janela do horror abriu-se
Escancararam-se os males tribais
O efeito amedrontador surtiu-se
Entre os velhos e novos rivais

Agora se conhece o inaudito
Perpetuam-se as chagas
Escuta-se o estampido
Que dispersa a praga

Luta-se sempre, luta-se mais
É do instinto a incoerência
Que sacrifica os demais
E até a própria existência

Tania Montandon



Mágica sintonia

Naquela ornada cama descansavam, fatigados
Duas almas, numa sintonia transcendente à fala
Contemplavam Eros naquele sorriso, inebriados
Na antiga lida de argumentos vãos, a vida se cala

De que importaria quem esquecera de fechar a porta?
Na aura quase insana, abstrata, a sensação do êxtase
Mãos, peles, sentimentos unidos no coração com força
Um só corpo, duplo, completo a se esquecer a face

A ondulação sincronizada na dança, hipnotizada
Reabrindo os poros à toda energia e benévola magia
Ósculos, doces, vagarosos no deleite sincronizado
Aquilo que temiam e desejavam, era o que se abria

Retornam juntos e suavemente à percepção presente
Quem saberia dizer o que se passou naquela ínfima eternidade
Silêncio, não cabiam palavras, tudo o mais se sente
Então o tempo de paz era o destino do casal sem idade.

Tania Montandon



Emoções

Fortes energias que me são indecifráveis
Não sei o quê, como surgem, o porquê
Sei que são pungentes e indomáveis
Sua finalidade eu gostaria de saber
Invadem meus pensamentos

Sem pedirem ao menos permissão
Controlam os sentimentos
E subvertem a razão
Questiono se são minhas ou sou delas

Como um brinquedo nas suas mãos,
Atrapalham até minhas aquarelas.
Oxalá os resultados fossem sãos

Grandes vilãs de meus projetos
Preciso chicote e um bom manual
Para separar o que são dejetos
E impor a elas minha condição – qual?

Tania Montandon



Sede

Água pra que te quero
Naquele sol de verão
O suor escorrendo
A garganta na sequidão
Sede! Matá-la espero

Água pra que te quero
As forças esvaíram-se
As pernas bambeiam
Minerais, potáveis, sulfurosas
Não sei se sumiram ou se...

Mas água pra que te quero
Bem gelada, bem gostosa
Bem aos montes, maravilhosa
Sede! Matá-la espero
Transparente manjar dos deuses
És rica, radiante, ó poderosa!

Tania Montandon



O Gigante Dos Meus Temores


O Sol zombeteiro entra pela grade da janela
Esquentando as mágoas impertinentes
Ah! Se eu tivesse a Palavra, só Ela
Curaria meus anseios intransigentes

Diacho! Estou aqui e respiro
Este ar poluído e macabro
Só dissabores inspiro
O coração nunca mais, nunca mais abro

Plangente aura nociva de desafeto
Invade um mundo num troar indiscreto
Deixa o espírito sem defesa à obsessão
Dos mais nefastos demônios em junção

Tania Montandon



Agonia Extrema

Não estou muito bem
Sinto influências – d’onde vêm?
Maculam meus órgãos internos
Fraquejo, que sou ante poderes etéreos?

Poluindo o sangue, o cérebro
Ainda que manque, não me rendo
Queimam a carne, vejo o féretro
Não dói por fora – Por que dentro?

É a expiação do que noutra vida fiz?
Como hei de pagar pelo que esqueci?
Ou é loucura, presta a me engolir?

Demônios, delírios ou bruxos
Por obséquio, deixem-me, sujos
Salve, Deus, o pobre de cujus

Tania Montandon



Brinquedo Adultil

Se eu fosse poeta
Viajaria na fantasia
Se eu fosse asceta

Viveria de poesia
Se poeta eu fosse
Guerra não existiria

Se eu tivesse posse
A miséria acabaria
Mas se eu fosse arquiteta

Projetaria uma pradaria
Uma humanidade reta, e
A Natureza reinaria

Tania Montandon



Milagre – Só Pra Quem Crê

Como não crer na recuperação de alcoólatras?
Pois se tão facilmente
E por motivos tão mais brandos
Jesus não transformou água em vinho?!

Então é só convidá-lo à reunião
De pessoas crentes na recuperação
E pedir-lhe, humildemente, no cerne da fé
Que transforme, por favor,

O vinho deturpado
Abusado por nós, insensatos
Em água simples, sem sabor
Como há de negar o Salvador?

Mil’águas só pra quem quer!
Salve a Grande dor
Oh Grande Salvador!
Esteja conosco em nossos atos

Tania Montandon



Que Vergonha!

Sou brasileira, que vergonha!
Não tenho emprego, que vergonha!
Sou mais uma vítima da desigualdade
Estudei a vida inteira, e ainda...

Meu país não valoriza, que vergpnha!
Sofro de alergia a este governo, que vergonnha!
Luto tanto por um ensejo
Que me dê dignidade...ladainha!

Não tenho vocação pra submissão
Discordo e arrepio com a atual disposição
Dos poderosos em carcaças
Onde não mais cabem suas trapaças

País tão rico, cativante!
Quem o destrói, seus governantes. Que vergonha!
Povo tão criativo, extenuante!
Quem os exclui, seus governantes. Que vergonha!

Quero cair fora, que vergonha!
Não quero pegar essa “catapora”
Prefiro refugiar-me nas favelas
Onde foi condenado meu povo. Que vergonha!

Preciso inebriar-me, ou me mato
Diante tanta decepção. Que vergonha!
Preciso alienar-me, enlouquecer
Pois não suporto esse “ver”. Que vergonha!

Tania Montandon



Prece

Quero dinheiro não
Quero amor, quero perdão
Quero forças no meu coração

Quero sucesso não
Quero com força
Não o querer não
Quero humildade e dor, essa

Que salva do mal ato
Que expurga o desejo macabro
E deixa meu ser pacato, e abro

Minha vontade à do Superior
Experienciando o teor de sua paz
Quero escolher o bem com fervor
E, se Deus quiser, serei capaz

Tania Montandon



Ano-novo Psiquiátrico


Dia cinza
Com rumores coloridos
Zoneando a fronteira
Noite-dia

Lá fora,
Festas, aquarelas
Modelando esperanças...

Aqui dentro,
Muita chuva de olhos
Tremores de bocas
Feridas de solidão

Por fora
O mundo de foguetes
O bom devir

Aqui dentro
A espera das voltas
Que dará o mundo
E flores resplandecentes

Crescerão na úmida terra
Trabalhada no coração
Se assim os deuses consentirem...

Tania Montandon



Opinião, Não Abro Mão

As dores da alma são ferozes
Grandes energias tornam-se algozes
Se a corrente humana não for forte
E, de mãos dadas, gentes construírem fortes

Há quem diz intangível o Bem universal
Creio-os enganados
O Bem é tangível, tocável, muito afável
Pois ele está nos humanizados

Todos eles, diferentes, semelhantes
Concorrentes, compartilhantes
José, Maria, Joaquim, Bonfim
Seres tangíveis, sentimentais, lidando com seus fins

Assim creio meu Deus
Tão concreto em carnes e ossos
Deus é dos “eus”
Abstrato no amor e nos esforços
...cuja visibilidade precisa muita fé de loucura e de ternura

Tania Montandon



O Amanhã

O amanhã é um mistério
Mas é mister ser
Pois na nuvem do etéreo

Certezas não cabe ter
O amanhã é um mistério
Neste enorme alvorecer

Que cedo começa sério
Questionando este viver
O amanhã é um mistério

Busco preparar-lhe um ocorrer
Que não seja sacrilégio
Nem tabu seu percorrer

Tania Montandon



Sangrando

Triste, dolente estou
Humana e sensível sou
Que fazer com o que se passou
E tanto mal sombrio apedrejou-me?

Lamento a memória independente
Persegue, chicoteia e não perece
Não na nefasta parte que se sente
Só pisoteia a alma, e esta padece

Posso fingir sonhar no pensamento
Mas o real acorda o sentimento
Lucidez sofrida ou euforia fugidia?

Dilema louco do momento
Da peculiar sina que experimento
Mato-me, culpada; ou mato a culpa que me acaba?

Tania Montandon



Dores...

Há tempos fui ferida no cerne de meu ser
Os anos passam, mas não apagam
As marcas de estragos
As dores em trapos

Quero morrer agora
Chega de sofrer
Não suporto a demora
Dum infinito envelhecer

Pior que viver
É ser desprezada, ignorada
Pior que odiar

É não poder amar
Pior que se ferir
É sentir culpa por existir

Tania Montandon



Divas – Dádivas Divinas


Palavras, gestos, atos, imagens
Tantas formas de expressão plausíveis
Nenhuma, entretanto, arrepia-me a alma
Em seu âmago mais autêntico e ignorante

Que a melodia singela de vozes tão belas
Ternas emoções confortantes afloram
Trazem à tona sentimentos simples, paz
E ofertam flores sonoras na graça harmoniosa

Da entonação, da exposição do coração
De uma alma que oferece seu dom precioso
Ao deleite de seres angustiados
Que não lhes têm como pagar ou agradecer
A não ser deixando-lhes saber
Do profundo sentido prazer,
Divino e eterno
Como impossível momento esquecer


Tania Montandon



Entendimentos

Se alguém soubesse o que é angústia
Aquele aperto doloroso no espírito
Não me condenaria em minha balbúrdia
Nem utilizaria, ímpio, voz satírica

Se alguém soubesse o que é loucura
Aquela tentativa malograda de comunicação
Não usaria de sedação pretextando cura
Usaria dum nobre coração com a mais fina ternura

Se alguém conhecesse a concreta e seca lágrima
Aquela invisível que escorre internamente
Não duvidaria de sua potência ácida
Nem estranharia um cadáver precoce no mundo,
...uma vida ausente...
...pra sempre...

Tania Montandon



Concreto e Palavras

As trilhas passam ligeiras
Mal as posso vislumbrar
São como estrelas passageiras
De referência, um outro lugar

Caminho, parada, apressada.
Rumo paralelo ao destino,
Intento tomar no vagar,
Distanciando-me do mal desatino

Estou presa nas correntes da mente,
Que impede o mundo - pois este não a compreende -
De girar em seu tempo e espaço.

Contudo, prossigo, crente
Carregando alguma qualquer cruz dolente
Pra esperar, contente, uma fonte de paz.

Tania Montandon



Ignara Sina

Sofro, triste, temo e desconheço o que
Controla o que penso, o que faço, o que sinto
O mês chora minha dor, lava minha lama
Escurece minha vista

O que é esperança?
Esperar o quê? Por quê? Pra quê?
Quem sou? Que faço? Que sei?
Quais são meus hábitos?

Perdida, confusa, culpada,
Julgada, condenada, excluída,
Discriminada, marginalizada
Angustiada, desesperada, suicida

Sou aquele caroço de azeitona na boca do banguelo
Se Deus é minha consciência, Ele diz:
- Não sou, não faço, não sinto
- Não sei, não me habituo, desespero
...


Tania Montandon



Desvelando...

Não sei chorar ou sorrir
Não sei acordar, nem ao menos sentir
Roubaram minhas raízes de intimidade
Levaram minha dor e, com ela, min’espontaneidade

Só deixaram este perene torpor
E um coração que não vale a idade
Queria poder dizer o que sinto
Porém não consigo, nem sei como nasceu

Não sei como veio
Mas dói e nem entendo o porquê
Percebo-me comprometida
Naquilo que dizem ser o ‘eu’

Minha alma é uma verdade mentida
Pensa ser aquilo que nunca apareceu
Meu intuito não era o desapontamento
Mas não posso fingir que sei de sentimento

Fica um certo lamento
Por não saber ser inteira
E um eterno tormento
Por essa causa rasteira

Tania Montandon



Apreensão

Sou uma fumaça de intocável volubilidade
Poluo o ar, o meio, não posso me conter
Quanto mais repreendida, maior minha instabilidade
Flutuo em devaneios, buscando o bem-viver

Atravesso a solidez dos bens mundanos
Procuro minhas moléculas esparsas
Em diversos cantos, dos divinos aos profanos
Vejo-me cativa de minhas próprias farsas

Almejo sentir um seguro solo
De sustentação à árdua jornada
Porém, não encontro solo ou consolo
E preciso enfrentar a finita caminhada

Percebo os auto-enganos em tardios tempos
Sou fisgada a cada instante passageiro
Por encantos subjetivos sem acabamentos
E divido-me no incessar ligeiro...
...dos ruidosos pensamentos

Tania Montandon



Invisível Ardência

Qual um espectador do mais vil terror
Presencio instintos furiosos
Produzirem cimos de pânico e dor
Transformando membros em fantoches forçosos

Sensações inumanas de possessão
Dilaceram a alma fraquejante
Abusando dum ser ignorante
Onde já inexiste alento ou qualquer razão

A aura abstrusa do inferno faz-se presente
Povoa o interior do subjugado ente
E o que se percebe é só maldição

Nem mexer ou pensar é ao infeliz permitido
Todo bem imaginável fora coibido
Restando nada além de trêmula comoção

Tania Montandon



Dor

Humana, divina, espiritual?!
Inevitável, previsível, habitual?!
Punição, castigo, carma?!

Ou aprendizado, do sábio a arma?!
Agradeço minha dor
Meu sofrimento, minha agonia

E do viver o calor
Minha ingênua tecitura, até a ‘dura alegria’
Possuo paz e conflitos

Indignações e êxtases
Procuro com quem divido
Tantas significações à mesa

Tania Montandon



‘Renoversão’

retorno ao berço abrigo
ou será ex-berço, desabrido?
Abrigo do colo de Vovó
Desabrida falta que ela faz

Hoje tudo é novinho
Obra do tempo, que muda
No familiar ainda há carinho
Vistoso limoeiro,minha primeira muda

Não a primeira, mas a significativa
Aquela que emana energia positiva
E me pede a seu jeito: - Seja ativa!

O desconsolo, o rebelde entregam-se
As plantas, entre si, aquecem-se
Meus vapores raivosos vertem-se

Tania Montandon



Qual o Limite?

O ser humano é limitado
A linguagem é limitada

A verdade é limitada
A mentira é limitada

A palavra é limitada
Até o limite é limitado, não?...

Tania Montandon



Vias de(vidas)

As palavras fogem
Por medo
De serem fortes
Por apego
À má sorte


A história anda
Por dever
À trajetória
Por não saber
O que é vitória

A mente pára
Por cansaço
De muito lutar
Por abraço
Ao discordar

A vida insiste
Por amor
À criação
Por louvor
Ao coração

Tania Montandon



Arte

O canto do sabiá
A beleza do encanto
Que só de observar

O que sinto é santo
Versa vida em leveza
Na melodia tão pura

O som de chama acesa
Lumiando minha parte escura
Alento não falta em seu labor

Inteiro na produção harmônica
Donde vem tal fervor
Inovando com essa obra canônica?

Tania Montandon



Queixume

Sofro da voz que não me dita:
- Deves fazer isto e não aquilo...
Sofro da liberdade bendita
Que não deixa meu erro tranquilo

Sofro da dor que não escolhi
Aquela que me impuseram com força
Sofro dessa dor pela qual agradeci
E agradeço ainda pela moça dor

Sofro do desalento de usufruir
Desse presente doído
O qual agarro pra não escapulir

Sofro desse esforço de viver comigo e contigo
Sofro pelo malogro soberbo de querer retribuir
O dom de ter consciência e ter nascido

Tania Montandon



Humana...Mente...


Maestra força da insigne mente
Rege orquestras racionais, emocionais
Em timbres e tons os mais diferentes
...Ice-Berg indomável,
...Humanamente indecifrável

Perfeccionista, não suporta sabotagens
Um ato anódino, uma emoção esdrúxula
Põe-se a auto-recriminação, até por bobagens
Uma criação inédita, uma alegria absurda

Maestra e mestra da humanidade
Transfigura naturezas misteriosas
Expõe seu dom de iniqüidade e também de fraternidade
...emblema vital ...embora suscetivelmente mortal

Tania Montandon



O Agora


O momento é um só
Passado, presente, futuro
Existem apenas
Em interações

Não se deve contar
O que não se garante
Nem inventar certezas distantes
A dúvida é inerente à vida

Como a imprevisão
É inerente ao ser
Qual o melhor ou pior

Caminho a seguir
Só a humildade
Pode levar ao saber

Tania Montandon



Estrelas [1]Humanas


Se as estrelas começam a falar
Todo o céu cala-se
Para descobrir a essência do trabalho.

Neste mundo onde o estresse virou rotina
E repetir esmaga vícios,
As estrelas caem na vista,

E somem em leves cochilos.
Nada muda. Tudo cometia enganos
Porque a estrela não estava lá

E talvez um dia...
... tudo se torne...
...compreensível...

[1] Metáfora para seres humanos

Tania Montandon



Só Um Sim


Oh grande mestra literata
Como gostaria de aprender
A passinhos de bebê
Todo seu estilo nobre e clássico

E, assim, aprendendo com seu saber
Colocar mais tijolinhos felizes
Em minha obra por nascer

Meu entusiasmo pode parecer exagerado
Tudo que sinto é assim
Mas divina é a vontade de bom grado

Reconhecendo seu talento
E apreciando sua capacidade de dizer ao destino...
...apenas Sim...

Adornando o mundo com seu dom
E deixando a outras gerações
Grandes frutos preciosos

Tania Montandon



O Dia

Às vezes, parece que o mundo foge da vista
Dista-se no escurecer, no horizonte...
Parece esmorecer, perdendo aquela vivacidade benquista
Não reclama do cansaço, nem ao menos franze a fronte

Eu, desperta antes mesmo de poder vê-lo brilhante
Espero seu clarear anunciante:
- Bom dia, irmãos! Estou com vocês, vamos seguir juntos!

Outra jornada começa...
O dia é o cicerone
Neste mundo de festa

Pois sei que voltará
E apenas adianto uma breve despedida:
- Até lá!

Tania Montandon